sexta-feira, 16 de setembro de 2011

TEOLOGIA "RELACIONAL" - UM NOVO DEUS NO MERCADO


Estou colocando este artigo do Pr. Augusto Nicodemus Lopes, conceituado professor teológico que comenta muito bem sobre a nova onda que vem surgindo que é a Teologia Relacional, defendida pelo Pr. Ricardo Gondin e outros simpatizantes. Acompanhe a leitura e tire suas conclusões.

TEOLOGIA RELACIONAL: UM NOVO DEUS NO MERCADO
  Rev. Augustus Nicodemus Lopes, professor do Centro Presbiteriano de Pós-graduação Andrew Jumper e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

  27.04.2005 11:37
Os reflexos da onda gigante que provocou a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro de 2004 alcançaram também os arraiais evangélicos, levantando, entre outras coisas, perguntas acerca de Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre as diferentes respostas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou previsto. Ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou teologia da abertura de Deus.

A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade através de escritores norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas idéias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às vezes de forma aberta e explicita.

A teologia relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada, ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre Deus e sua maneira de se relacionar com a criação. Seus pontos principais podem ser resumidos desta forma:

1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.
2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Neste sentido, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.
3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.
4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.
6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.

Estes conceitos sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Não poucos lideres calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao Cristianismo.

A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos relacionais, o Cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional, por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro mediante relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade, determiná-lo por suas atitudes.

Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a Igreja Cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.
Mesmo tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Muito embora os evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados, arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros, todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os aderentes da teologia relacional não são cristãos, mas sim que o conceito que eles têm de Deus é, no mínimo, estranho ao cristianismo histórico.
Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1; etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a Queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?
Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo Cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariam conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
Pr. Julio César M. Pereira

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DO PRECONCEITO A SALVAÇÃO

No evangelho de João, capítulo 4, dos versos 1 ao 15 lemos o intrigante encontro de Jesus com a mulher samaritana, texto bem conhecido dos leitores da Bíblia.
Como vivia esta mulher em sua comunidade e como ela era olhada na sociedade?
a) Ela era discriminada por ser mulher (verso 27);
b) Era discriminada pelos judeus por ser samaritana (verso 9);
c) Era rejeitada pelos samaritanos por ter vida sexual irregular (verso 18).
O texto comenta que ela ia buscar água ao meio-dia (hora sexta - verso 6), para evitar de se encontrar com pessoas que iam e assim evitar falatórios a seu respeito ou olhares furtivos de condenação. Era comum buscar água pela manhã para os afazeres domésticos, mas a samaritana vivia se escondendo, fugindo pois tinha vergonha de si mesma. E uma pessoa nessas condições não faltam acusadores para deprimi-la  com olhares ou palavras.


QUAIS ERAM AS NECESSIDADES DA SAMARITANA
Primeiro - Ela precisava ter um encontro com Jesus para mudar sua vida
A iniciativa partiu de Jesus quando ele disse aos discípulos que era necessário passar por Samaria (verso 4). Não é pelo esforço humano que se encontra Deus, é ele que vem até nós para curar as nossas dores e sarar nossas feridas feitas pelo pecado.
Segundo - A partir daí, ela precisava conhecer Jesus em etapas e níveis revelador de conhecimento para uma mudança completa de vida e procedimento.


1.1 - RECONHECENDO QUE JESUS É MAIOR
"O Senhor é maior que o nosso pai Jacó"? (verso 12) - Jesus é maior. Uma ideia importante, porém vaga. A questão é a seguinte: Jacó tinha a referência de um poço, mas Jesus a referência de uma fonte. Qual é maior? Disse a samaritana: Jacó nos deu um poço, e o Senhor, o que tem que venha a ser maior do que este poço?
Era uma ideia importante, porém muito vaga. A samaritana era uma mulher religiosa, que como muitos, só tem religião e nada mais; vivem o fracasso, atolam-se em seus erros e pecados, tem suas consciências agravadas pelos erros e sabem que a religião não é suficiente para curá-las e tratá-las e vivem das migalhas do poço de sua religião (verso 5); não conhecem a Deus (verso 10) e vivem na insatisfação apesar de religiosos (sede, verso 13). Jesus nos deu uma fonte espiritual (verso 14), uma fonte viva, um verdadeiro manancial. Quem tem esta fonte dentro de si, não precisa depender de "poços" exteriores, sejam religião ou prazeres mundanos para ter alegria ou esperança. Só Jesus Cristo pode nos dar plenas paz e santo gozo.

1.2 - RECONHECENDO QUE JESUS É PROFETA (verso 19)
A samaritana, nesse versículo, teve uma ideia correta de Jesus, mas estava incompleta. Ele é muito mais que um profeta. Muitos, hoje, vêem Jesus como profeta, como mestre, filósofo, comunista, revolucionário, porém isso não os leva a lugar nenhum. Muitos valorizam os ensinamentos de Cristo e não a sua pessoa como Messias, Salvador, Senhor, Alfa e ômega, Princípio e Fim, Remidor e a única causa de nossa eterna salvação.


1.3 - RECONHECENDO QUE JESUS É O CRISTO DE DEUS (verso 29)
Esta é a conclusão indispensável para a vida de qualquer ser humano ao olhar para Jesus com os olhos da fé. Significa o reconhecimento de Jesus como a solução divina para a alma humana. Significa o reconhecimento de Jesus como o Salvador prometido.


1.4 - O RECONHECIMENTO TEM QUE TRAZER COMPROMETIMENTO COM JESUS - verso 15)
"Senhor, dá-me sempre dessa água". Mesmo sem ter ainda pleno entendimento, a samaritana quis o que o Senhor oferecia. Não adianta reconhecer e não se comprometer. Não basta ser envolvido, tem que ser comprometido com Jesus em sua obra redentora. Somos transformados de glória em glória a imagem de Jesus. Esse processo começa na conversão para nunca mais acabar, nem aqui e nem na eternidade, pois Jesus Cristo é uma fonte inesgotável que nos faz saltar para a vida eterna.


TESTEMUNHANDO AOS OUTROS A RESPEITO DE JESUS (versos 28-29)
"A mulher foi e anunciou em Sicar sobre seu encontro com Jesus". Ela quebrou seu estado de isolamento social, deixou para trás de si o cântaro e foi evangelizar. Muitas coisas são deixadas para trás quando entregamos nossas vidas ao Senhor Jesus. O resultado na vida da mulher samaritana foi que, de mulher de vida fácil, foi elevada a missionária da mensagem do evangelho.
Outrora a samaritana vivia de história e se alimentava de passado. No verso 12 ela disse a Jesus: "O nosso pai Jacó nos deu esse poço..." ou seja. ela estava presa ao passado, a antigas tradições. Ela vivia da experiência que Jacó havia tido com Deus. A água do poço de Jacó pode representar a experiência do patriarca com Deus. Foi legítima e exemplar, mas era uma experiência pessoal e não servia para a samaritana. Não era satisfatória e não atendia aos seus anseios espirituais. Não viva a base de experiência dos outros, tenha a sua com Deus. Não basta, somente, conhecer a história de Jesus mas é preciso conhecer o Jesus da história, ter um encontro com ele e ver sua vida mudada completamente.


A SAMARITANA LANÇAVA SUA ESPERANÇA PARA UM FUTURO DISTANTE (verso 25)
"Quando o Messias vier nos anunciará todas as coisas..." Enquanto ela vivia sua vida toda irregular, cheia de medo, preconceitos, em fuga consigo mesma, sua espectativa  estava no futuro. Sua vida presente estava comprometida. Dizia ela: "Não tenho marido" ( vs. 17). Talvez isso não seja problema para algumas pessoas hoje, mas, naquelas circunstâncias, representava um fracasso de uma vida. Além disso, não sabia onde adorar. Estava espiritualmente desorientada.


A PROPOSTA DE JESUS (verso 23)
"A hora vem, e agora é". O tempo para a experiência com Deus é agora! Não é no futuro, nem amanhã. É hoje! O tempo urge e não podemos perder a oportunidade do encontro.Lembre-se: Jesus foi a Samaria porque era necessário passar por lá. Por quê? Porque ele tinha que ter um encontro coma alguém que era repudiada por quase todos, mas que no fundo esperava o Messias, e ele se revelou a ela. Não é lindo como Deus sabe exatamente o que queremos  o que pensamos e o que desejamos? Leia Salmo 139 e tire sua conclusão.
Não fique aí dependendo da água dos outros, da experiência dos outros como a samaritana vivia da experiência de Jacó. Corra direto à fonte que é Jesus.
Está escrito em Hebreus 4.7: "Se ouvirdes, hoje, a voz do Espírito, não endureças o teu coração..." Jesus fala a cada um de nós agora. Em João 4, Jesus não está pregando para uma multidão, mas para uma simples e desprezada mulher. Aprendemos com isso que o Senhor sempre destacou o valor de uma alma não importando quem seja ou o que esteja fazendo porque quando ele entra em cena, tudo muda, tudo se transforma e nunca mais nada será como era antes.
A samaritana foi encontrada por Jesus, conheceu a Jesus  se comprometeu com Jesus e testemunhou de Jesus. Que eu e você digamos: "Senhor, dá-me de beber dessa água". A mesma promessa feita por Jesus a samaritana é para mim e para você também. "Mas aquele que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede. Deveras a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna". agora é com você...pense nisso!!!
Pr. Julio César M. Pereira

terça-feira, 13 de setembro de 2011

TESOURO NO CÉU - SEGURANÇA PARA O FUTURO

Tirando de Mateus 6:19-34 duas grandes lições  exposta por Jesus:

Primeiro - Nos versos 19 a 24 Jesus fala sobre ajuntamento de tesouro
Segundo - Nos versos 25 a 34 Jesus fala da ansiedade pelos suprimentos das necessidades.


1) - VAMOS COMENTAR SOBRE OS VERSOS 19 A 24 - AJUNTANDO TESOURO
Neste trecho da Bíblia encontramos alguns dos conceitos mais difíceis de se cumprir do sermão do Monte. Para tal, requer uma absoluta fé em Deus e o abandono da confiança em si próprio e nos recursos materiais concernentes a este mundo.
Jesus nos recomenda a guardar tesouro no céu. Interessante que ser providente é uma virtude que bem reconhecemos, mas nem sempre a cultivamos. A ansiedade com relação as coisas do futuro, e a ambiciosa preocupação de ajuntar tesouro terreno pode se tornar uma obsessão e fazer do crente um avarento de marca maior. Paulo diz em 1 Timóteo 6:10 que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.
Bem, então vamos dicotomizar essa linha de raciocínio de Jesus:
a) Se Jesus nos orienta a ajuntarmos nosso tesouro no céu é porque aqui não há segurança alguma. É só vermos os noticiários de cada dia e o que tem de sequestro, roubo em saída de bancos (a famosa "saidinha"), explosão a caixa eletrônicos e etc e tal... Tudo que adquirimos aqui está sujeito, como Jesus adverte, a traça, ferrugem, desfalques, roubos e homicídios provenientes de assaltantes.

b) Por melhor que guardemos ou empreguemos nossas economias, elas estão sujeitas a estar fora de controle. Haja vista o que aconteceu nos Estados Unidos da América quando o setor imobiliário faliu. Milhões de pessoas perderam em poucos dias bilhões de dólares e diversas instituições foram a falência, pessoas morreram e outras adoeceram em decorrência da perda de suas economias. Países foram afetados e suas economias sofreram uma avalanche de perdas sem precedentes.Porém o tesouro que ajuntamos no céu estará seguro, não é perecível e está fora de especulações financeiras e de agentes daninhos e de possíveis quebradeiras como acontecem no mundo em que vivemos.
Geralmente nos preocupamos muito quando se trata de onde estamos guardando nosso tesouro. Se estivermos com os olhos voltados para as riquezas deste mundo, por certo que os interesses materiais serão colocados em primeiro plano em nossas vidas; se estiver no céu, os interesses, então, estarão nas coisas celestiais.
c) Deixar de se dedicar ao acúmulo de bens e riquezas materiais para construir um tesouro nos céus requer uma mudança total de visão das coisas.
Fica, praticamente, difícil para um cristão dedicar-se ao acúmulo de riquezas e ao mesmo tempo servir a Deus. Como Jesus diz: é querer servir a dois senhores. Daí, um terá a primazia em detrimento do outro. Como Deus teria que vir em primeiro lugar e muitas das vezes não vem porque em muitos corações cristãos, Mamom já assumiu a primazia há muito tempo.

2)  - COMENTANDO OS VERSOS 25 A 34 - ANSIEDADE PELOS VALORES MATERIAIS
Sabemos que o Senhor Jesus se preocupa com nossas necessidades diárias e é legítimo trabalharmos pelo pão de cada dia. Buscar através do trabalho os devidos recursos é correto e justo. Em 2 Tessalonicenses 3:10 está dito que: "se alguém não quiser trabalhar, não coma também".
O que acontece é que muitos cristãos ficam, exageradamente, ansiosos pelo futuro, achando que um dia poderá  faltar o conforto, o alimento, o vestuário, o dinheiro ou outra coisa qualquer.
Quando agimos assim, negamos a nossa confiança em Deus que pode nos provê e isso faz com que gastemos toda nossa energia em buscar segurança nos tesouros aqui do mundo. E isso tem levado muito cristãos a um nanismo espiritual.
Nos capítulos de 5,6 e 7 de Mateus, Jesus enfatiza que o homem é muito valioso para ele. Somos filhos de um Pai que supre tudo em todos. Jesus afirma que se Deus cuida muito bem dos animais, quanto mais dos seus filhos.
Os que sofrem de ansiedade pelo futuro acabam ofendendo a Deus.A ansiedade pelo futuro não passa de futilidade. A ansiedade traz prejuízo a alma. Jesus disse que ninguém pode acrescentar alguns centímetros à sua estatura por mais que se preocupe.
A recomendação de Jesus é a seguinte: "Buscai, primeiramente, o Reino de Deus e a sua Justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas", ou seja, priorizar a nossa confiança em Deus e entregar a ele nosso futuro, certo de que ele proverá as nossas necessidades diárias de que tanto precisamos.
Jesus foi bem enfático: a promessa é que todas as nossas necessidades materiais serão providas  por Deus. Pare de ficar olhando o futuro e viva o presente seguindo a orientação de Jesus. Viva, intensamente o Reino de Deus e sua justiça e ele te abençoará e te dará providência para sua vida diária. Não coloque a carroça na frente dos burros se não irá ser um desastre na sua vida.
O nosso futuro está nas mãos do competente Deus. O Senhor é a nossa "PREVIDÊNCIA SOCIAL", o nosso 'SEGURO DE VIDA', e a chegada merecida ao lar (a Cidade Santa) para um merecido gozo eterno. Lá estaremos com ele, sem dor na alma, sem choro agonizante e sem lágrimas angustiantes. " lá está o meu tesouro/lá aonde não a choro/onde todos, cantaremos juntos,hinos de louvo, ao Senhor.../ Lembro-me desse louvor e como soa doce ao meu coração.
Queridos irmãos, trabalhemos para o presente e não nos inquietemos pelo futuro, pois nosso futuro está seguro nas mãos de Deus. Vivamos cada dia na fé e providência divina, colocando, como prioridade, o Reino de Deus e sua justiça em primeiro lugar e sendo bons profissionais e nos contentando com nossos soldos, afinal de contas, como disse Jesus: basta cada dia o seu mal!
Abraços em Cristo Jesus
Pr, Julio César M. Pereira

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA

A parábola do filho pródigo no evangelho de Lucas mostra uma revelação de dois personagens que Jesus compara entre dois comportamentos: a) aquele que é inconsequente com sua vida espiritual, esbanjando toda sua vida na futilidade e prazeres da carne, mesmo que isso lhe custe a sua ruína; b) aquele que é enrijecido pela vida espiritual legalista e engessada em rigidez litúrgicas que o transforma num ser petrificado e sem amor. É desprovido de misericórdia porque não sabe perdoar, apenas aprendeu a disciplinar os atos externos dos culpados, embora, internamente, suas atitudes não diferem, em nada, daquele que por ele é julgado.
Na Parábola registrada em Lucas 15:11-32, mostra a saga de um relacionamento familiar entre um pai compassivo, amoroso, misericordioso, bondoso,perdoador e compreensivo, em contraste com seus dois filhos: um de vida dúbia e outro de vida sectária. Na realidade Jesus está ilustrando nessa parábola os dois lados da mesma moeda, ou seja, o homem tanto sectarista como  dúbio são pessoas  depravadas em si mesmas e que tanto um como outro precisa nascer de novo. Veja o episódio ocorrido entre Jesus e Nicodemos. Quem era Nicodemos? Diz João que ele era príncipe dos judeus (João 3:1-21). Era membro do sinédrio. Era tão importante que tinha medo que alguns de seus companheiros o visse publicamente conversando com Jesus, por isso, oculto na escuridão, teve uma entrevista com Jesus. Com toda a sua religiosidade e conhecimento teológico, Jesus foi muito enfático: "é necessário nascer de novo sem o qual você não verá o Reino de Deus. Sem uma nova perspectiva ninguém, além de não ver, não viverá o Reino de Deus. Então observo que tanto para Nicodemos, como para a mulher adúltera havia o mesmo dilema, porém em situações diferentes: no primeiro caso, seus atos internos, não extravasados, não o inocentava de seus pecados ocultos, ou de sua natureza pecaminosa, por isso que a Bíblia diz que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus. Todos, sem excessão! No caso da adúltera havia a externalidade de seus atos o que a fazia condenável, pois todo pecado é uma afronta ao Deus santo, seja ele externo ou interno. Todos pecaram! E o perdão é o dom inefável de Deus para todos os que creem na expiação de Jesus, seja ele um dúbio ou um sectarista.
A aplicabilidade dessa parábola serve tanto para quem externaliza o pecado como para quem apenas o oculta (leia Mateus 5-7). A maldade, é uma só.  Está enraizada dentro do ser humano e só pode ser removida  através do sangue de Jesus que o redime de toda culpa. O pródigo, externou tudo que sua natureza pecaminosa o induziu a fazer. Não queria mais a companhia do pai; afastou-se para viver toda a sua depravação que estivera oculta em si; usou e abusou de todos os prazeres pecaminosos e sofreu, também na carne, todas as conseqüências oriundas do pecado. O pecado é assim mesmo: traz prazer no início e desgraça no fim. Porque o salário do pecado é a morte.
E o bom moço que ficou em casa, era melhor? O texto, por si mesmo fala: era igual ao pródigo, porém, com manifestação diferente. Ele não tinha os dons do pai; era desprovido da misericórdia, do perdão e do amor. Só havia em seu coração a lâmina cortante do juízo: seu irmão não poderia ter mais oportunidade de recomeço. Tinha que ser punido, negligenciado. Tinha que si virar sozinho e se, morresse, problema dele, afinal de contas foi ele quem procurou isso.
De um lado a linha dura farisaica, mostrando um comportamento irredutível, frio e hipócrita, desumano, como fizeram com Jesus: crucifica-O, pois é digno de morte tal homem. Homens sem afeição, que perderam a docilidade pela rigidez fanática da liturgia petrificada de sua religião. Religião é um veneno que mata o homem aos poucos. Podemos transformar nossa fé cristã, num veneno religioso se perdermos o foco da grandeza e do amor de Jesus Cristo.
Na verdade, nessa parábola, Jesus está enfatizando que, tanto o que vive enfornado dentro da religiosidade,  como quem vive atirado às paixões da carne, todos estão debaixo do mesmo crivo do pecado. Um, enrustido, outro externado. No fim do episódio o irmão mais velho demonstrou com suas atitudes que era tão mau quanto seu irmão mais novo que abandonara sua casa e o amor de seu pai. Todos dois estavam enquadrados no mesmo pecado: falta de afinidade com o Pai. Por mais que pensemos o fato de irmos a igreja todos os cultos não nos faz íntimos de Deus. Precisamos buscar a experiência pessoal, esvaziar todo nosso ser para que Jesus nos preencha da sua graça; deixar ser guiado pelo Espírito Santo e nesse enxerto produzirmos os frutos de arrependimento que são gerados pela ceiva, que é Jesus, em nossos corações. Frutos dignos de um genuíno arrependimento.
Não interessa, para Deus, se você é "certinho" ou da "pá-virada"; não são os atos pessoais de justiça que agradam a Deus, mas o coração convertido a Jesus. As mudanças na sua vida depende de uma operação regeneradora que só Deus pode fazer. A mensagem é clara: todos nós precisamos nascer de novo para sermos transformados à imagem gloriosa do Senhor Jesus. Então, finalizando, na passagem do filho pródigo vemos o mais velho e o mais moço vivendo o mesmo drama em perspectivas diferentes. O pecado é um só, seja dentro da igreja ou fora dela. Se não nascermos de novo, não veremos a glória de Deus.
Pr. Julio César M. Pereira

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MILAGRES OU AUTO-SUGESTÃO

Na segunda-feira, no dia 5 de setembro, as 21:30 horas, eu, minha esposa e meu filho caçula fazíamos o culto doméstico que havíamos denominado: "Eu, Jesus e a minha Família". Como de hábito, fazemos um período de louvor, com três cânticos e logo após uma leitura do evangelho. E neste dia, estávamos lendo o capítulo 12 de Mateus. Nós dividimos o capítulo em três partes e, cada um leu uma parte e, depois, colocamos nossos pedidos de oração e fazemos a intercessão e agradecimentos finais. Mas, quando coube a mim, ler porção que ia de Mateus 12: 18 até 35, fiquei atento aos versículos 20,21 que diz "Não esmagará a cana quebrada e não apagará o morrão que fumega, até que faça triunfar o juízo. E, no seu nome os gentios esperarão". Conforme vemos no seguimento do livro de Mateus, que trata sobre a revelação do Rei e seu reino, os capítulos 12 e 13 são eventos que acontecem em momentos cruciais do ministério do Senhor Jesus. Vemos que a rebelião contra Jesus adquire mais força. A resistência farisaica já havia iniciado com João Batista (11:1-19), e continuava no ministério de Jesus. Embora presenciasse obras poderosas (11:20-30), passam a discutir com Jesus sobre questões como a guarda do sábado e até o acusam de ter ligações com Satanás. Embora sejam esses capítulos cheios de conflitos, pude observar em alguns versículos algo que me chama atenção. Nos dias atuais, vemos uma propaganda exacerbada de curas, milagres e maravilhas. No verso 15, do capítulo 12, Mateus registra que: "Jesus, sabendo disso, retirou-se dali, e acompanhou-o uma grande multidão de gente, e Ele curou a todos".
Antes de analisar o texto em Mateus 12:20 e 21, quero comentar, primeiramente, sobre a questão de como Jesus curava multidões de toda sorte de enfermidades em contraste   como os neopentecostais que  hoje usam mais de auto-sugestão do que de ação sobrenatural da fé. Observemos os fatos:
1ª  PONDERAÇÃO
Na segunda acusação dos fariseus feita a Jesus eles afirmavam que o Mestre quebrava a guarda do sábado com suas realizações de milagres, sendo isso, para eles, um pecado grave. Jesus, usa a lógica para mostrar o quanto estavam errados, pois eles cuidavam de seus rebanhos no dia de sábado. O que o Mestre tenta explicar é que mais vale uma vida humana restaurada do que muitos rebanhos. No verso 14 os fariseus maquinam assassinar Jesus. Ele, então, saiu de lá. Afastado da comunidade, num lugar ermo, Jesus cura a todos que o seguiram, necessitados de reabilitação.
a) A Antítese dos Milagreiros Atuais
Estava assistindo um programa na mídia chamado "SHOW DA FÈ". (bem, eu sei que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem (Hb 11:1), mas ser show?... Show de que? Do homem? Da sua vaidade? Da sua imagem idolatrada por muitos? Num dado momento, uma senhora é convidada a subir no palanque, soltar uma muleta e, caminhar em meio a clamores e orações. Percebi que ela andava com muita dificuldade e mancava bastante, mas, por ter largado a muleta a turba ia ao delírio. No capítulo 12 de Mateus Jesus cura, de forma surpreendente um homem que tinha a mão mirrada, ou seca, ressequida, definhada e, diz o texto:...Então disse àquele homem:Estende a mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra  (verso 13) O que observamos no Evangelho é que, enquanto Jesus curava de forma surpreendente e na maioria das vezes  em lugares afastados  e pedia, como diz o texto no verso 16 " E recomendava-lhes, rigorosamente, que o não descobrissem", hoje, vemos outdoor com fotos de milagreiros estampados dispostos em lugares de grandes visibilidades. Totalmente contrário a atitude de Jesus. Veja o que diz o verso 19 "Não contenderá, nem clamará, nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz". É só examinar a Bíblia e confrontar com as atitudes desses neopentecostais e você verá que tem algo estranho, muito estranho com o que se prega e se crê nesses movimentos "suspeitos" que para mim é mais um "caça-níquel" de oportunistas que muito se enquadra no que diz Paulo em 2 Timóteo 3:1-8: " ...porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos...tendo aparência de piedade mas negando a eficácia dela...que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade...e, como Janes e Jambres, resistiram a Moisés, assim estes também  resistem a verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto a fé..."
O que vejo nessas concentrações, na maioria dos casos, são pessoas sendo induzidas a auto-sugestão e não ao mover da fé. O propósito dessas "cruzadas" está claro e evidente é tornar-se conhecido na mídia e assim adquirir fortunas através de doações que nunca são prestada contas e os investimentos oriundos dessas arrecadações são, como diz o apóstolo Paulo, usados egocêntricamente, porque são avarentos e amantes de si mesmos.
Há uma aberrante diferença de comportamento de Jesus com os que se dizem, hoje, seus seguidores. Basta alguns momentos de estudo, análise e reflexão para se reconhecer um perfeito lobo em veste de ovelha que não tem poupado o rebanho de Deus.

Continuarei com a 2ªPONDERAÇÃO no próximo comentário para não ficar muito extensivo. Estarei finalizando  comentando Mateus 12:20,21.
A Deus, toda Glória!
Pr. Julio César Martins Pereira